Os contos de fadas surgiram há bastante tempo, porém o direcionamento para a infância teve seu início com Andersen. Perrault e os Irmãos Grimm escreveram para os adultos, ou seja, para todos, pois, naquela época, não havia diferenças etárias na literatura. Andersen que os sucedeu, percebeu a revolução que acontecia na sociedade em relação ao novo lugar concedido à infância e meio que se apropriou da nova concepção, de tal modo que seus textos passaram a incluir as crianças como protagonistas dentro de uma lógica genuinamente infantil. Charles Dickens foi outro autor que também se utilizou do protagonismo infantil como cenário para suas histórias.
Tão significativos são os contos infantis que mesmo aquele que não leu especificamente, Andersen tem uma noção das fantasias que seu contos suscitaram: Quem não sofreu com a história do Patinho Feio? Quem não se divertiu com A Roupa Nova do Imperador?
Todos esses autores, bem como outros da atualidade, escreveram e escrevem levando em consideração a lógica da infância. É possível então pensar em 4 aspectos relevantes que podem ser identificados nos textos da literatura infantil:
- os personagens infantis falam pelas crianças expressando seus sofrimentos e temores;
- a humanização dos brinquedos que representa a impotência das crianças que muitas vezes não são compreendidas e com desejos que não são escutados;
- o protagonismo é dado às crianças num contexto de histórias aparentemente folclóricas;
- a valorização do pensamento infantil no que diz respeito à verdade e à virtude, tantas vezes escanteadas nas relações entre os adultos;
Nestes dois séculos em que a infância foi ocupando um novo lugar, é preciso ressaltar o quanto os contos de fadas e as histórias infantis podem contribuir para que as crianças possam, através da literatura infantil e da dramatização dessas histórias, vivenciar ativamente tudo aquilo que sofreram passivamente.
Ana Amélia Arruda